sábado, dezembro 10, 2005

Drica

Nem todos viram quando Drica passou pela rua e se despediu. Ela não desejaria ir tão rápido, porém o tempo era o que mais importava naquele momento.
Temia pelo que não havia terminado. Pensava em como poderia melhorar a vida daqueles que esperavam por ela. E esperavam por longo tempo. Chamaram por seu nome, escreveram-lhe cartas urgentes, mandaram recados aflitos
E agora Drica deveria partir
As esperanças de quem desejava que ela ficasse diminuiam drasticamente
A felicidade se fez presente para aqueles que desejavam a sua partida
Nesse momento Drica pouco se importava com as opiniões de opositores. Não, Drica apenas desejava deixar aquele lugar
E dar lugar aos seus. Dar-lhes resposta, dar-lhes tranquilidade.
Não houve tempo para o adeus de todos
Poucos viram sua partida
Ninguém presenciaria o seu regresso.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Visitantes

Dizem que eles estão vindo
Dizem que se escondem entre nós
Que aqui estão para tomar tudo o que possuímos
Será Verdade?
Eles têm um pacto com nossos semelhantes
Dizem que nos escondem a verdade
Que logo saberemos, mas será tarde
Que tomarão o que é nosso.
Será verdade?
De suas casas desceram
E quanto mais descerão?
Para viver em nossas casas?

quinta-feira, novembro 10, 2005

Quem

O som do vento não permitia sequer uma palavra
Quietos ficaram quando o grande dia chegou
Quem partiu um dia antes voltou para presenciar aquele momento
As palavras não teriam sentido
Não saberiam falar daquela aparição
Eram muitos os que observavam
Poucos os que não se entreolhavam
Não havia quem fosse embora.Ficaram ali
Com um espanto que os paralizava
As luzes eram belas e intrigantes
Azuis
Vermelhas
Verdes
Cores vivas
Cores da vida
Talvez da morte
O que se aproximava com tanta euforia?
De onde vinham as cores, os brilhos, o vento?
Seria certo fugir? Correr?
Ficaram parados.

domingo, outubro 16, 2005

Respostas

Se perguntassem a ele de onde vinha, ele não respondia
Apenas continuava sua longa caminhada em busca das respostas para as peguntas de seus questionadores
Nem ele, com todo o seu conhecimento sobre sua vida, seus momentos, sabia, ao certo, de onde tinha vindo
Apenas lembrava-se que no seu antigo mundo todos viviam mais quietos
E não se dirigiam a ele.
Suas vidas eram ocupadas demais para isso.
No seu antigo mundo ele não perguntava.
Preferia ouvir o que um dia poderiam dizer

terça-feira, outubro 04, 2005

A escolha

Viviam juntos na montanha , nunca ousaram sair de lá
Não havia dúvida de que lá embaixo não encontrariam paz
A paz da brisa, a paz da quietude
Não, lá não haveria paz
Muitos de pergutavam: o que fazem lá, sós, sem amigos?
Sós estavam, mas felizes viveram
E na montanham permaneceram, até o fim de suas vidas
Nunca se arrependeram

sexta-feira, setembro 16, 2005

O Portão

Era de se esperar que o velho portão jamais se abrisse
Após aquele dia em que a decisão final fora tomada
Todos levavam suas vidas normalmente
A tranquilidade já reinava, após tanto caos
O jardim da antiga praça já florescia novamente
Pássaros voltavam a visitá-lo
Olhos curiosos não mais visitavam o vilarejo
Mas num momento inesperado, o portão se abriu
Era fim de tarde e o crepúsculo já se aproximava
Ouviu-se o ranger da dobradiça há tempos desgastada
Olhos apavorados acompanhavam aquele momento
Idéias desesperadas, perturbação
Até que o alívio se fez presente
O portão se abrira sozinho
Não se sabe o porquê
E ninguém do vilarejo ousou perguntar.

terça-feira, setembro 13, 2005

Eles

Têm cores belas
Formas belas
Magnitude majestosa
Proporções assustadoras
Atraem curiosidade
Fascínio
Dúvidas
Medo
Querem alcançá-los
Querem apresentá-los
Conquistá-los

segunda-feira, setembro 12, 2005

O segredo

Era quase noite quando as duas estranhas criaturas apareceram
Não havia necessidade de avisarem a chegada
Apenas ficaram ali, à espreita,analisando o novo mundo agora descoberto
Não demorou para que ficassem perplexos com o que viam
Seus olhos enormes mal acreditavam em tamanha descoberta
Suas mãos habilidosas queriam tocar tudo e tudo modificar
Conversavam entre si em uma língua indecifrável
Até que avistaram um bom início para suas novas vidas
E convenceram aquele homem solitário a acompanhá-los
Com ele aprenderam
Compraram seu segredo
E seu mundo dominaram

domingo, setembro 11, 2005

Verdade

Olharam os pássaros da janela e juntos ficaram
Ouviram o doce canto dos pássaros.Juntos ficaram
O sol já se despedia.E juntos ficaram
A chuva caia
E juntos ficaram
As folhas caiam no triste outono
E juntos ficaram
A janela se fechou
E juntos ficaram

Lembranças

Abriu os olhos, como se não quisesse enxergar
Tampou os ouvidos, como se quisesse escutar
Chorou, como se alegre estivesse
Gritou, como se amasse o silêncio
Brigou, como se a paz o acompanhasse
Dormiu, como se acordado estivesse
Partiu, pois aquele era o seu lugar

sábado, setembro 10, 2005

Obstáculos à solidariedade

A solidariedade apresenta-se na sociedade atual como uma possível solução para o panorama de incertezas e inseguranças em que vivemos. Ao ajudarmos uns aos outros, desaceleramos a máquina do pessimismo que nos leva a crer que o amanhã tende a ser sempre pior, que apenas podemos contar com nosso próprio esforço para enfrentar as adversidades. Por outro lado, ações solidárias não dependem somente da boa vontade daqueles que as desejam praticar. A boa vontade certamente é a mola propulsora das ações, porém o próprio sentimento de incerteza em que vivemos nos faz temer a realizações de alguns atos que por sua bondade intrínseca, deveriam ser isentos de receio.Além, é claro da falta de tempo que impede o exercício da ajuda humanitária.
Hoje em dia não se pode falar em falta de solidariedade sem falar na insegurança da população frente aos acontecimentos negativos e do ritmo intenso do dia-a-dia.
Inúmeros casos poderiam ilustrar esse panorama no que diz respeito ao medo como inibidor da solidariedade, como, por exemplo, a doação de sangue, amplamente requisitada pelos órgãos competentes.O número de pessoas que gostariam de ajudar aqueles que necessitam é imensamente maior do que o observado na prática. Isso se deve ao medo que muitos têm de contrair doenças durante o processo da doação. Desse exemplo, se pode tirar também mais um fator negativo que inibe a solidariedade: a falta de informação.Hoje se sabe que medo acima citado é destituído de fundamento, porém poucos têm essa consciência.
Podemos citar também o antigo costume de distribuir refeições para moradores de rua durante o inverno. Hoje em dia poucos são aqueles que o fazem. Poucos abdicam da segurança de seus lares para correr o risco de serem assaltados até pelos próprios moradores a quem desejavam ajudar.
No tocante às ações que não causariam nenhum tipo de medo naqueles que decidissem praticá-las, nos deparamos com outro grande problema: a falta de tempo para se dedicar ao próximo. Num mundo em que a população, em sua grande maioria, trabalha mais de oito horas por dia, é difícil encaixar no curto tempo que sobra mais do que o que se necessita para si mesmo.Não só a falta de tempo é empecilho à solidariedade no que se refere à rotina de trabalho, como também o cansaço diário.
E não falo apenas do desgaste físico que impede a visita a um orfanato ou algumas horas dedicadas a um hospital do câncer, por exemplo. É o simples ato de ceder o lugar num ônibus a pessoas idosas ou deficientes.Alguns não o fazem por terem trabalhado o dia inteiro em pé; culpam-se pela omissão, mas a fadiga fala mais alto.
Conclui-se que para a solidariedade ser praticada num nível que a otimize e que sirva de exemplo para as gerações futuras, a violência urbana deve ser combatida ferozmente e os meios de comunicação utilizados para esclarecer qualquer dúvida da população que a impeça de ser solidária. Falta de tempo sempre existirá e será difícil extingui-la. Porém aniquilando os outros obstáculos, a consciência solidária tende a melhorar e muito.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Atenção

Há um chamado urgente
No mundo gelado
Salvem-nas
Há um grito de desespero
Lá não há quem as defenda
Salvem-nas
Da crueldade
Da ganância
Do desespero
Deixem que vivam
Salvem-nas
Não as deixem sós
Com o inimigo
Não vistam sua dor
Com vaidade