domingo, dezembro 24, 2006

Quando a noite chega

Nas esquinas eles estavam enquanto a noite não chegava.
Era falado na cidade que quando o crepúsculo chegava, a paz não permanecia no mesmo lugar.
Falavam sim, porém poucos acreditavam.
Os três, que muito zelosos eram, não queriam ver para crer.
Tinham muito o que fazer ainda, entre ofertar sua ajuda e recolher os donativos.Havia quem deles precisasse, mas não quem pudesse salvá-los. Por isso, assim que o Sol se foi eles foram também.
Recolheram tudo o que puderam e seus sorrisos encantaram quem ali estava. Não sairam sem antes fazer o que seria a última bondade do dia: Aquela jovem senhora agradeceu por aquele pão como se um banquete tivesse sido entregue a ela. Nessa hora eles tinham absoluta certeza do quão importante era aquele trabalho. Por isso continuariam até que não pudessem mais.
Partiram com a certeza de que fizeram tudo o que podiam . Pela mahhã haveria muito mais a fazer.
Mais tarde, enquanto estavam em casa, algo os chamou a atenção.
Ninguém costumava chamá-los àquela hora da noite. A casa já estava fechada, eles já iam se recolher, porém ouviram um grito suplicante: "Preciso de vocês, me ajudem, aconteceu algo grave comigo" Eles se entreolharam e lembraram do que um antigo e sábio morador do local havia falado. Ele disse para que nunca ninguém atendesse um chamado tarde da noite. Que coisas muito ruins podiam acontecer. E resolveram seguir as recomendações. Não abriram a porta, nem responderam ao apelo. O chamado cessou após mais três tentativas.
Eles então resolveram olhar pela janela e um terror tomou conta dos três: Viram uma figura sombria deixar o portão, com uma roupa de frade preta e logo entenderam o que o velho sábio sempre dizia: O mal existe aqui como em qualquer outro lugar. E onde houver o bem, ele estará lá.